sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ciberjornalismo


T/: Prof como surgiu o ciberjornalismo na sua vida?

P: Na altura era jornalista do JN editava peças relacionadas com política, e isto vai no ano 1995, e foi então que o Director da altura do JN teve uma conferência sobre Ciberjornalismo e "internet" em Paris, na altura pouco ou nada se sabia sobre internet.

Entretanto ele vêm de Paris e mal entra na redacção a reacção e as palavras foram imediatas: "Pessoal temos que fazer um jornal online, os gajos lá em Paris já usam a bastante tempo a internet e aquilo tem bastante sucesso lá!".
Internet? Questionavam-se os meus colegas de profissão, foi então que eu disse que já usava a internet em casa á 3 meses. De imediato o Director pediu-me para colaborar com a manutenção das notícias no site que entretanto os engenheiros informáticos construíram.

E assim começou o meu percurso no ciberjornalismo.

T: Acha que o ciberjornalismo em Portugal ainda esta muito "atrasado" em relação a países como por ex a nossa vizinha Espanha?

P: Sim, neste momento em Portugal, o ciberjornalismo em Portugal resume-se praticamente a "chapar" as noticias publicadas no jornal impresso para a internet, mas o grande problema está no apoio financeiro das empresas aos jornais electrónicos, os administradores das empresas tem medo de financiar um jornal online pensando eles que não irão obter benificios, coisa que não acontece em países como a Espanha e Inglaterra, o que é um erro porque as novas gerações e as gerações do futuro praticamente utilizam a Net para se manterem informadas.

T: Prof. acha que os jornais impressos vão acabar por desaparecer, como na generalidade das redacções se pensa?

P: Não concordo, sabemos que o ciberjornalismo cada vez mais vai ganhando avanços, principalmente em países como a Inglaterra e Espanha, mas até isso acontecer dou ainda umas boas décadas.

T: Prof. e dos tempos de redacção sente saudades?

P: Sim as vezes elas surgem, mas motiva-me muito mais dar aulas, o gosto pelo ensinar e ao mesmo tempo aprender, porque se esta sempre a aprender.

T: Prof. Como "Guru" do ciberjornalismo em Portugal, sente medo de não poder acompanhar o constante avanço da internet?

P: Para já, não quero ser considerado o "Guru" mas sim o primeiro a falar e a estudar o tema no nosso país, mas sabes, desde que comecei a estudar e a falar no tema, em 13 anos assisti a um avanço inacreditável, que o futuro assusta-me, nunca nenhuma prática jornalista se desenvolveu tanto em tão poucos anos. Mas não há-de ser nada, estou preparado para tudo.

T: Partilha da opinião que um curso universitário de jornalismo e condenar-se ao desemprego?

P: De maneira alguma, hoje em dia a crise que o nosso país atravessa, abrange-se a todas as profissões, nos vemos enfermeiros e arquitectos a sair do país, é lógico que a profissão já não é como antigamente, por exemplo no meu tempo mal acabei o curso o director do JN contratou-me a mim e a mais cinco Jornalistas, hoje em dia e impensável
entrar seis novos jornalistas numa redacção.

T: A nível financeiro a profissão de Jornalista tem alguns benefícios?

P: Se estas a espera de enriquecer, esquece, não vás para jornalista, mas para teres uma ideia, um jornalista numa redacção ganha a volta de 1000/1500€.

T: Para a semana realiza-se um Congresso na Faculdade de Jornalismo da Universidade do Porto sobre ciberjornalismo, com a presença de grandes nomes do Ciberjornalismo internacional, que espera desse Congresso?

P: Do congresso espero tudo de bom, dar a conhecer esta prática jornalística que tão pouco desenvolvida está no país, mas acima de tudo vai ser gratificante porque vamos entregar os prémios aos alunos que realizaram trabalhos sobre o tema, e confesso que como avaliador já vi coisas bastantes interessantes nos trabalhos que avaliei.

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